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quinta-feira, 18 de julho de 2019

O maior mistério da arqueologia brasileira está no município de Gentio do Ouro.

Em 2001, a revista Enigmas, na Espanha, já divulgava a vila de Santo Inácio, no município de Gentio do Ouro/BA, como a ‘Cidade Perdida’ localizada pelo explorador francês Apollinaire Frot, no final do século XIX, cuja descoberta motivou também o explorador inglês Percy Harrison Fawcett a querer visitá-la.
Recentemente, em 2018, o explorador espanhol Juan Francisco Cerezo Torres chegou à conclusão que Santo Inácio é de fato a ‘Cidade Perdida’ descrita no Manuscrito 512 (considerado o maior mistério da arqueologia brasileira) e também a ‘Cidade Perdida de Z’ tão procurada por Percy Fawcett.
A bordo de um avião da Força Aérea Brasileira (FAB), o filho de Percy Fawcett, Brian Fawcett teria sobrevoado o município de Gentio do Ouro em busca da ‘Cidade Perdida’, com base em coordenadas geográficas fornecidas pelo cônsul britânico do Rio de Janeiro O’Sullivan Beare.
O brasileiro Hoel Carvalho escreveu um livro em que interliga Santo Inácio com a ‘Cidade Perdida’ do Brasil, segundo o publicitário Oscar Guedes, que vem dando suporte ao espanhol Juan Francisco Cerezo Torres nas pesquisas.
Se as ruínas greco-romanas realmente existem como são descritas no manuscrito 512, elas estão localizadas no município de Gentio do Ouro”, afirma Oscar.
A busca por esse lugar gerou a maior exploração do mundo no século XX.
CONFIRA RELATOS DO JORNALISTA BRASILEIRO PABLO VILLARRUBIA MAURO, EM EXPEDIÇÃO A VILA DE SANTO INÁCIO NO ANO DE 2001.
Desembarquei no estado brasileiro da Bahia para seguir uma pista esquecida: a existência da “cidade perdida” localizada pelo explorador francês Apollinaire Frot, no final do século XIX. O viajante deixou apenas algumas poucas anotações sobre sua extraordinária descoberta, suficientes para que outro mítico explorador, o coronel inglês Percy Harrison Fawcett – personagem em que se inspirou para o filme Indiana Jones – gostaria de alcançá-la.

De Madri a São Paulo e depois a Salvador, a capital da Bahia, havia uns poucos milhares de quilômetros. Desdobrei o mapa do estado e busquei a referência geográfica que nos deixou Frot: a Serra do Encantado, situada no distrito de Gentio do Ouro, perto de um vilarejo denominado Santo Inácio.
Depois de um longo e penoso percurso em busca de vestígios pré-históricos entre Morro do Chapéu e Xique-Xique, em pleno sertão da Bahia – zona semiárida e pouco explorada –, parti rumo a Santo Inácio com meu amigo Manoel José Felisberto, natural de Sergipe, mas radicado em Salvador.
Há apenas um ano que se asfaltou a estrada entre a calorosa Xique-Xique e Santo Inácio. Ainda assim, raro era ver algum veículo atravessar o caminho: no máximo as caminhonetes pertencentes a algum fazendeiro. O asfalto estava marcado pelas borrachas dos pneus que freavam violentamente frente às vacas que se encostavam no meio da via.
À nossa direita, se abria uma enorme lagoa, a de Itaparica, rodeada de extensos palmeirais de carnaúba. Uma casebre aqui e outra ali se espalhavam em tão bucólico enclave. A maioria de seus ocupantes são descendentes de escravos africanos trazidos durante o período colonial português, e que se mantiveram isolados até poucos anos atrás.
Eu esfreguei meus olhos na frente daquela “miragem”: na frente do veículo em que viajávamos abria-se uma serra cujos contornos recordavam uma imensa cidade pétrea, com torres, palácios e muralhas. À medida que nos aproximávamos, a difuminada urbe se converteu num extraordinário conjunto ciclópico de pedras e roquedais magistralmente elaborados pela natureza.
Não pude reprimir a emoção ao contemplar a “desaparecida” cidade de Apollinaire Frot. Mantive a atenção ao máximo e, ao começar a subir a serra, observei a nossa esquerda algumas manchas vermelhas sobre a rocha. Imediatamente paramos o automóvel e baixei com a máquina fotográfica em punho a entrar naquela superfície ardente.
Então percebi que Frot não estava errado: aquele lugar foi um importante santuário de uma antiga civilização. As manchas vermelhas, vistas de perto, eram na realidade um precioso painel pintado com vários símbolos aparentemente cósmicos: sóis, cometas, luas e outros elementos indecifráveis.
Decidi caminhar entre as rochas. A poucos metros da estrada, numa encosta íngreme, erguia-se uma espécie de portal de pedra de cerca de 10 metros de altura e 25 metros de comprimento. Estava rodeado de plantas espinhosas. Talvez os antigos adoradores de Santo Inácio escolheram aquele lugar para realizar suas orações, ritos e sacrifícios, não muito longe das pinturas cosmogânicas.
Ao meu redor, se erguiam bizarras formações rochosas que recordavam homens gigantescos, figuras de animais fantásticos, ruínas de torres e de palácios… Explorar tudo isso supunha um esforço descomunal de dias, ou inclusive meses. Em instantes, me teria perdido entre os rochedos, porém estava entardecendo e decidimos ir rapidamente à vila de Santo Inácio.
As poucas casas – de estilo colonial – estavam encravadas na serra. Parecia despovoada até que uma criança, que possivelmente nos observava desde uma porta, cruzou correndo uma ruela empedrada.
Aproximei-me de um antigo casarão e da janela vi, em seu desgastado interior, uma biblioteca a ponto de arrebentar pelo peso dos livros. Quando bati na porta saiu uma mulher de pele clara, de trinta e tantos anos. Era Maria Aparecida Bessa, professora do lugar.

Graças à sua generosidade, nos hospedamos em sua casa. Junto a seu marido, Inácio de Loyola Bessa, nos levou a conhecer a localidade. O solo da pequena praça estava coberto de quartzo, assim como a fonte.
Subimos a uma colina de onde se avistava Santo Inácio e obtivemos uma panorâmica irregular formada por montanhas e rochas amontoadas, as que dão nome à “cidade perdida” de Apollinaire Frot. Estávamos concretamente sobre o Morro do Cruzeiro, onde tem algumas pedras com pinturas milenárias representando formas humanas, animais e símbolos, infelizmente um pouco embaçados.
O vento daquele final de tarde soprava forte. Ainda assim, Inácio Bessa decidiu nos contar algo estremecedor: “há quinze anos, ia a uma festa, em direção a Xique-Xique, em meu automóvel, a uns 15 km daqui. Ainda não tínhamos energia elétrica e o acesso era pela estrada antiga de pedras. Na meia-noite, apareceu um foco luminoso muito intenso no caminho. Raramente alguém transitava por ali. Decidi parar e esperar que passasse. Depois de meia hora o veículo não apareceu… era como se tivesse desaparecido! Confesso que senti medo”. “E a que atribui isso?”, lhe perguntei. “Não sei. Dizem que é o carro-fantasma. Mas também, para aquele morro– apontou Inácio – e em outro ao redor da vila, geralmente sai umas bolas de luz que sobem no céu”.
LUZES E FANTASMAS
À noite, Maria Aparecida me falou sobre a história do lugar. Foi fundado, por volta de 1836, por garimpeiros de ouro e diamantes quando ali viviam os índios cariris, tupinambás e amoipiras. O primeiro branco que pisou a região – segundo documentos históricos – foi o bandeirante Belchior Dias Moreira, no século XVII. Moreira morreu sem revelar a localização das míticas minas de prata que supostamente encontrou, maiores que as de Potosí”, na Bolívia. Ofereceu-as ao então rei de Espanha, Filipe II, mas este não quis recompensar com títulos nobiliários o aventureiro português.
Mais tarde, verifiquei na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro que Apollinaire Frot viajou ao distrito de Gentio do Ouro seguindo os passos de Moreira atrás das pistas das minas de prata, ouro e diamantes. E foi assim que se deparou com a cidade perdida de Santo Inácio ou “de pedra” de Santo Inácio e suas intrigantes pinturas rupestres.

Aparecida me apresentou a Genelísio Gomes do Nascimento, um corpulento ancião de 75 anos, ex-comissário de polícia da localidade. Com sua excelente memória e boa disposição, revelou-me alguns fatos que não escaparam ao registro de meu gravador. Há muitos anos, um amigo, João da Viana, me contou que ele, junto com seu avô, trabalhava em um acampamento de mineração de ouro chamado Vermelhos. Neste lugar isolado, ouviram, uma noite, a música como se fosse uma festa, de pessoas falando, de uma sanfona… O som se ‘movia’ de uma serra para outra de forma inexplicável. No entanto, não havia absolutamente ninguém, e nenhuma cidade naquela área, num raio de muitos quilômetros. Eu já tinha ouvido histórias semelhantes de sons de fantasmas em quase toda a América. Na Argentina, por exemplo, acreditavam que tais sons e festas reuniam as almas malignas a quem chamavam “A Salamanca”. “E sobre luzes voadoras, conhece algum caso?”, investiguei. “Antigamente, a estrada por onde se chega era um caminho de terra muito ruim.Uma noite dos anos 60 – século XX – vinha com um amigo de buscar água em um poço, quando vimos uma luz aproximando-se sobre a estrada. Pensei que se tratava do automóvel do meu sogro, pois era o único veículo que circulava pela região naqueles tempos. Até nos pareceu estranho, pois não costumava circular a essas horas da noite e acreditávamos que levava algum doente. Quando a luz, que subia e baixava a serra acompanhando a estrada, se aproximou, e desapareceu no ar, misteriosamente… ficamos de cabelo em ponta!”.
E esta não foi à única vez. Genelísio teve outras experiências semelhantes. A mais significativa ocorreu de madrugada quando – estando com outras testemunhas – surgiu uma “roda” de luz, maior que a lua, sobrevoando os morros da “cidade de pedra”, mais concretamente em uma zona denominada “Os Quinze” – justo sobre o km 15 da estrada para Xique-Xique, onde Inácio Bessa também observou o fenômeno.
Posteriormente, meu eloquente informante me mostrou uma lendária “pedra de raio”. “As pessoas dizem que quando um raio cai no solo, ao cabo de sete anos emerge uma pedra. No entanto, é só isso, uma lenda, pois na realidade trata-se de machados fabricados pelos antigos habitantes da região, por exemplo. Eu encontrei alguns, eu posso te mostrar um…”, – me disse Genelísio, extraindo dois exemplares bem lavrados do interior de uma caixa de madeira.
Eu estava animado para encher meus cadernos e fitas de histórias paranormais e outros fenômenos desconhecidos. O ex-comissário Genelísio era uma excelente fonte de informação, e junto com sua esposa, lembrou outro “episódio fantasma”: “O que vou te contar aconteceu nos anos 60. Um viajante vinha para Santo Inácio em seu jipe, vindo de Gentio do Ouro. Antes de entrar na localidade, parou para ir buscar um idoso que estava pedindo carona. O homem só pediu que o levasse até Santo Inácio, e veio mudo todo o caminho. Quando passaram perto do cemitério, pediu ao condutor para parar. Quando desceu, ele disse: “Muito obrigado. Eu moro aqui” – apontando para o cemitério – “e meu nome é Renovato Alves Barreto”. Nesse momento, o viajante estremeceu, e partiu para a pensão para indagar pelo idoso. A proprietária da hospedagem lhe disse: “Pois essa pessoa morreu faz muitos anos, era o chefe político da região…”.

GÊMEOS MÍTICOS
Pernoitamos na casa de Aparecida e Inácio protegidos pelos mosquiteiros. No dia seguinte, decidimos explorar os arredores da vila. Num enorme lajedo que se estende cercando sua principal entrada, numa subida, demos com as ruínas da antiga cadeia pública do município. Segundo Genelísio, ali esteve várias vezes encarcerada a falecida dona Geracina. “Era uma mulher que bebia muito e por isso provocava muitas desordens nas ruas. Os policiais a levavam para a prisão e a acorrentavam pelos pés a um tronco. Mas, ao cabo de poucos minutos, a mulher já não se encontrava no lugar. Aparecia novamente na rua, com os braços em jarra e voltava a insultar a seus pasmados captores.
Esta sorte de “Houdini” com saias era o “terror” dos agentes da lei, que jamais puderam detê-la mais de uns minutos. Parecia que estava a desaparecer enquanto os policiais estavam de costas. Esses acontecimentos ocorreram entre 1940 e 1942, e Geracina faleceu no final dessa mesma década.
A uma dezena de metros da cadeia, e escavada sobre o mesmo lajedo de pedra, abria-se uma cavidade em forma de caixão perfurado em puro cristal de rocha.
Aparecida narrou que o buraco tinha sua lenda: dois irmãos gêmeos tinham encontrado um diamante extraordinário, de muitos quilates. Sua possessão ocasionou uma disputa que levou à morte de um deles… “É a voz do povo que isso é o caixão do defunto, e como podem ver, existe uma forma de cruz sobre a rocha de cristal. Eram os missionários que contavam esta história”, esclareceu a professora.
Imaginei que a lenda poderia vir dos indígenas que habitavam a região e que se extinguiram, talvez antes do século XIX. Em quase toda a América do Sul e Central, inclusive no livro sagrado dos maias, o Popol Vuh, fala-se dos gêmeos míticos que no princípio juntam esforços, mas que, finalmente, terminam mal. As informações são da Revista Enigmas/Tradução: Oscar Guedes.




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